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Curitiba/PR, Brazil
Ministra da Eucarístia,exerce o ministério da cura e libertação. Escritora, professora e atualmente exerce a função de técnica de enfermagem com zelo e amor ao próximo.

sábado, 27 de outubro de 2012

TODO MUNDO QUER IR PARA O CÉU...

...MAS NÃO JÁ! Foi isso que eu li uma vez no parachoque de um caminhão. Típica filosofia do “irmão da estrada”, que vai no coração e no pensamento de todo mundo. Ninguém, é claro, pois o desejo de vida é tão forte em todos, que até o moribundo tem certeza que vai sarar ainda e vai continuar firme por muitos e muitos anos.
Mas estamos chegando ao dia de finados, e temos de meditar um pouco nesse tema. É a única lei que atinge a todos, sem exceção, pois até Cristo, o Filho de Deus feito homem, quis a ela se submeter. E além de atingir a todos, iguala a todos, reis ou papas ou mendigos. Diante dela se esvai todo nosso orgulho e vaidade: “lembra-te que és pó e em pó hás de voltar.”
Mas nós temos fé, e temos certeza que a morte não tem mais a última palavra, desde quando Cristo a venceu com a sua Ressurreição. Antes de Cristo era ela que tinha essa última palavra, encerrava todos os argumentos, fechava todas as portas. Mas Cristo ressuscitou, venceu a morte com a vida. E nós, que fomos feitos membros de Seu Corpo Místico, participamos agora de Sua vida, que ultrapassou a barreira fatídica e mergulhou na eternidade do Pai. Nossa morte não será o fim, mas apenas uma passagem: de uma dimensão de vida – ligada ao tempo e ao espaço, amarrada pelas leis da matéria e da sensibilidade – para outra dimensão de vida – livre do tempo e do espaço, sem mais limites porque participante da infinitude e da eternidade do próprio Deus.
E por que então temos medo de morrer? Se estamos todos neste mundo como peregrinos a caminho da Casa do Pai, por que não temos pressa de chegar? Seria lógico esse desejo, não? E por que os santos almejavam ardentemente esse encontro, face a face, e quando a morte chegava, os encontrava sempre alegres e felizes?
Talvez a nossa fé seja muito pequena. Será que acreditamos de verdade na vida eterna, na ressurreição dos mortos? Por que choramos tanto, quando um ente querido vai para Deus? Não deveria ser assim. Os santos viveram uma autêntica experiência de Deus, e depois dessa experiência tudo o mais passa para um segundo plano. Só Deus conta. Todo amor deseja o encontro até a fusão das vidas; assim também o amor de Deus. E só a morte, que liberta da matéria e do sensível, permite o mergulho no Infinito.
Nós, por nossa culpa e negligência, estamos muito longe a experiência do Absoluto, do Transcendente, do Amor total. Amarrados pelas mesquinhas experiências desta vida e pelas mesquinhas satisfações que elas proporcionam, talvez pensamos encontrar nelas a nossa realização. Que ilusão! Um dia, bem mais cedo do que pensamos, a morte vem mostrar-nos quanto são falazes tais satisfações.
No dia em que nos convencermos que só em Deus encontraremos nossa felicidade total e completa, a plena realização de nosso ser, e que só encontraremos a Deus de fato se nos libertarmos de tudo o que se coloca como obstáculo entre nós e Ele – a matéria, Ele que é puro Espírito – aí não teremos mais medo de morrer!

Por Frei Estevão Nunes, OP

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Silêncio e Disponibilidade


Você já teve aquela impressão de que as coisas estão muito corridas? Que precisa parar um pouco e precisa colocar as coisas no lugar?
Quando isto acontece na nossa vida, precisamos parar e refixar o nosso olhar em Deus. A Igreja, na sua sabedoria, sabe que até os padres e pessoas consagradas precisam parar às vezes e por isso aconselha que, pelo menos uma vez por ano, devemos parar e fazer exercícios espirituais, com silêncio e disponibilidade que são atitudes fundamentais para bem rezar.
“Deus gosta do silêncio!”. Podemos nos espelhar na passagem de Elias na gruta, que viu passar um furacão, um terremoto e fogo, mas Deus não estava ali. Quando escutou o murmurinho de uma brisa suave, Elias cobriu o rosto, porque sabia que Deus estava presente, e aí começou a escutar a sua voz. (Cf. Rs 19). Assim também em nossa vida somos circundados por tanto barulho, tanto do lado de fora (rua, rádio, celular, TV, etc.) quando do lado de dentro (nossos pensamentos e preocupações). Muitas vezes ficamos distraídos com os “furacões”, os “terremotos da vida” e ficamos surdos à voz de Deus. Entrar no silêncio é um passo importante para nos colocarmos na presença de Deus.
A segunda atitude que Deus espera de nós é a disponibilidade, nisso Maria é o nosso grande modelo. Diante da Anunciação do Anjo Ela proclama: “Eis a Serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a sua vontade!”. É comum quando vamos rezar termos segundas intenções. Queremos resolver um problema, pedir que algo aconteça pedir pela nossa saúde, etc. A verdadeira oração é desinteressada! Precisamos ser humildes diante do Senhor, Ele sabe o que precisamos, o que necessitamos ouvir. Por isso, a melhor coisa é estar disponível para aquilo que Deus quer falar, seja o que for.
A grande tentação da nossa vida e nos acomodarmos e não sentirmos mais a necessidade de conversão, de caminhar. Por isso, essas lições não podem ficar só naquilo que passou, precisamos viver no dia a dia!
Experimentando essas atitudes de oração: silêncio e disponibilidade, vamos estar cada vez mais vivendo na comunhão que vem de Deus.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A ressurreição dos mortos

O texto de 1Cor 15 é um texto muito particular dentro do Corpus Paulino. Ele trata deste tema delicado da vida no pós-morte. Na verdade, ele tenta não só responder a alguns cristãos de Corinto, mas também faz uma sutil e primitiva catequese escatológica, ou seja, sobre os fins últimos da vida na perspectiva cristã. Alguns cristãos desta cidade rejeitavam a ressurreição dos mortos (15,12). Os gregos a consideravam como concepção grosseira, ao passo que os judeus a tinha aos poucos pressentido. Paulo, para combater o erro dos coríntios, parte da afirmação fundamental da pregação evangélica – o mistério de Cristo morto e ressuscitado – que ele desenvolve enumerando as aparições do Ressuscitado. Este tema da ressurreição dos mortos é muito caro à fé cristã; é a base da fé no Cristo Ressuscitado.

Ao morrermos, para onde iremos? O que acontecerá com nossos corpos? E nossa alma? O que nos espera depois da vida? Estas interpelações e muitas outras acompanharam muitos cristãos ao longo da concretização lenta da reflexão cristã. Não há cultura nenhuma, não há religião alguma na qual não se tenta responder a esta pergunta inquietante. No mundo ocidental, várias respostas foram dadas ao mistério da vida após a morte. Em diálogo com a filosofia e as ciências contemporâneas, a teologia cristã reafirma a revelação bíblica fundamental sobre o destino final do ser humano: a ressurreição em corpo e alma, tal como manifestada no evento histórico-escatológico da ressurreição de Jesus. O ocidente é marcado por três posições e respostas marcantes em torno destas questões, dadas pelo materialismo, espiritismo e cristianismo. Diante da morte há muita tensão e angústia, contudo, o cristianismo sempre pregou que Deus não deixará desaparecer a pessoa humana no nada. Ele ressuscitará o ser humano na morte porque o ama e porque é um Deus que quer a vida. O artigo de fé “ressurreição dos mortos” é a fé no agir exclusivo de Deus; depois de uma única vida vivida aqui na terra, este Deus transforma tudo aquilo que é ser humano, numa nova forma de existência junto com ele. Deus transforma tudo aquilo que somos numa nova forma; à esta transformação, damos o nome de ressurreição (1Cor 15,35-38). Este processo de transformação por ser iniciativa exclusiva de Deus se dará na atemporalidade (eternidade) de Deus e não no espaço e no nosso tempo. Como seres humanos que somos, estamos no tempo e no espaço; tudo pensamos e projetamos segundo estas duas principais dimensões. Com a nossa morte estas duas dimensões param de existir. A fé cristã, desde o início, acreditou que após a morte entramos numa espécie de experiências existenciais (expressão de João Paulo II), chamadas tradicionalmente de juízo, purgatório, céu, juízo final e inferno. A ressurreição só é o ato inicial de toda uma nova maneira de existir. Ela começa pela experiência de uma plena ampliação de nossa consciência; ela implica a possibilidade de uma evolução atemporal, rumo a uma personalidade em completa sintonia com os parâmetros de Deus; e ela culmina na experiência eterna daquilo que é a completa e total realização de todas as nossas potencialidades numa vida em plenitude, junto com Deus e com todos os nossos irmãos e irmãs.
Escrito por Frei André Boccato, OP

sábado, 15 de setembro de 2012

Devoção a Nossa Senhora das Dores



DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DAS DORES

> Meditação das Dores de Nossa Senhora.

Foi o Papa Pio X que fixou a data definitiva de 15 de Setembro, conservada no novo calendário litúrgico, que mudou o título da festa, reduzida a simples memória: não mais Sete Dores de Maria, mas menos especificadamente e mais oportunamente: Virgem Maria Dolorosa. Com este título nós honramos a dor de Maria aceita na redenção mediante a cruz. É junto à Cruz que a Mãe de Jesus crucificado torna-se a Mãe do corpo místico nascido da Cruz, isto é, nós somos nascidos, enquanto cristãos, do mútuo amor sacrifical e sofredor de Jesus e Maria. Eis porque hoje se oferece à nossa devota e afetuosa meditação a dor de Maria. Mãe de Deus e nossa.
A devoção, que precede a celebração litúrgica, fixou simbolicamente as sete dores da Co-redentora, correspondentes a outros tantos episódios narrados pelo Evangelho: a profecia do velho Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus aos doze anos durante a peregrinação à Cidade Santa, o caminho de Jesus para o Gólgata, a crucificação, a Deposição da cruz, a sepultura, portanto, somos convidados hoje a meditar estes episódios mais importantes que os evangelhos nos apresentam sobre a participação de Maria na paixão, morte e ressurreição de Jesus.
Vamos nós, cristãos, pedir auxílio à Rainha dos Mártires, para que nos mantenha afastados do pecado, e nos dê força, auxílio e paciência para levarmos a nossa Cruz.

As Promessas aos devotos de Nossa Senhora das Dores
Santa Brígida diz-nos, nas suas revelações aprovadas pela Igreja Católica, que Nossa Senhora lhe prometeu conceder sete graças a quem rezar cada dia, sete Ave-Marias em honra de suas principais "Sete dores" e Lágrimas, meditando sobre as mesmas.

Eis as promessas:
1ª - Porei a paz em suas famílias.
2ª - Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.
3ª - Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei nos seus trabalhos.
4ª - Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha à vontade de meu adorável Divino Filho e à santificação de suas almas.
5ª - Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
6ª - Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.
7ª - Obtive de Meu Filho que, os que propagarem esta devoção (às minhas Lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhe-ão apagados todos os seus pecados e o Meu filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria.

Santo Afonso Ligório nos diz que Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu, aos devotos de Nossa Senhora das Dores as seguintes graças:
Eis as Graças:
1ª – Que aquele devoto que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer antes de sua morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados.
2ª - Nosso Senhor Jesus Cristo imprimirá nos seus corações a memória de Sua Paixão dando-lhes depois um competente prêmio no Céu.
3ª - Jesus Cristo guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte.
4ª - Por fim os deixará nas mãos de sua Mãe para que deles disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.

Oração à Nossa Senhora das Dores

Ó Mãe de Jesus e nossa mãe, Senhora das Dores, nós vos contemplamos pela fé, aos pés da cruz, tendo nos braços o corpo sem vida do vosso Filho. Uma espada de dor transpassou vossa alma como predissera o velho Simeão. Vós sois a Mãe das dores. E continuais a sofrer as dores do nosso povo, porque sois Mãe companheira, peregrina e solidária.
Recolhei em vossas mãos os anseios e as angústias do povo sofrido, sem paz, sem pão, sem teto, sem direito a viver dignamente. E com vossas graças, fortalecei aqueles que lutam por transformações em nossa sociedade.
Permanecei conosco e dai-nos o vosso auxílio, para que possamos converter as lutas em vitórias e as dores em alegrias.

Rogai por nós, ó Mãe, porque não sois apenas a Mãe das dores, mas também a Senhora de todas as graças. Amém!

sábado, 25 de agosto de 2012

Senhor, aumenta nossa fé!


«Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5)

A palavra «fé» tem um duplo significado. Há, na verdade, um aspecto da fé que diz respeito aos dogmas e que consiste em concordar com uma dada verdade. Este aspecto da fé é proveitoso para a alma, segundo a palavra do Senhor: «Quem ouve a Minha palavra e crê n'Aquele que Me enviou tem a vida eterna» (Jo 5,24). [...]
Mas há um segundo aspecto da fé: é a fé que nos foi dada por Cristo como carisma, gratuitamente, como dom espiritual. «A um é dada, pela ação do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro, a fé, no mesmo Espírito; a outro, o dom das curas, no único Espírito» (1Co 12,8-9). Esta fé que nos é dada como graça pelo Espírito Santo não é pois apenas uma fé dogmática, mas tem também o poder de realizar coisas que ultrapassam as forças humanas. Quem possui essa fé dirá «a este monte: “Tira-te daí e lança-te ao mar” [...], assim acontecerá». Pois, quando alguém pronuncia esta palavra com fé «e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz se vai realizar» (Mc 11,23), recebe a graça da sua realização. É desta fé que foi dito: se tivésseis fé «como um grão de mostarda». Na verdade, o grão de mostarda é muito pequeno, mas tem em si uma energia fogosa; semente minúscula, desenvolve-se a ponto de estender os seus longos ramos e de até poder abrigar as aves do céu (cf Mt 13,32). Do mesmo modo, a fé realiza numa alma os maiores feitos, num piscar de olhos.
Quando está iluminada pela fé, a alma representa Deus diante de si e contempla-O tanto quanto possível. Abarca os limites do universo e, antes do fim dos tempos, já vê o julgamento e o cumprimento das promessas. Tu, portanto, possui essa fé que depende de Deus e que te leva a Ele; então receberás d'Ele essa fé que age para além das forças humanas.



domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos Pais

PAI, COMEÇA O COMEÇO!


Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia:
- "pai, começa o começo!".

O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos.

Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim.

Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.

Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança.

Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, "começar o começo" de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.

Hoje, minhas "tangerinas" são outras.

Preciso "descascar" as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis...

Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta.

O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado.

Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.

Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:
"Pai, começa o começo!".
Ele não só "começará o começo", mas resolverá toda a situação para você.

Não sei que tipo de dificuldade eu e você encontraremos pela frente. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso:
"Pai, começa o começo!".

sábado, 4 de agosto de 2012

Dia do Padre - 4 de agosto

João Maria Batista Vianney, padroeiro dos padres, nasceu em 08 de maio de 1786, de origem pobre e humilde. Desde a infância, manifestava uma forte inclinação à oração e um grande amor ao recolhimento.
Desde pequeno queria ser padre a todo custo, mas esbarrou em dois obstáculos: pobreza e sobretudo a escassa inteligência. Em 1813, com vinte anos, ele ingressou no seminário Santo Irineu, em Lyon.
No dia 13 de Agosto de 1815, ele foi ordenado padre, aos 29 anos de idade. No dia seguinte celebrou sua primeira Missa!
Em Janeiro de 1818 ele foi transferido para a paróquia da Aldeia de Ars-em-Dombes.
Ao chegar à cidadezinha ficou meio confuso, porque a neblina cobria as casas. O entendimento foi difícil e poucos vieram recepcioná-lo.
Ele viveu toda a sua vida dedicada a Deus. Ele repousava de 02 a 04 horas no máximo por noite. Quando acordava ia a Igreja, rezava diante do Sacrário e depois ia confessar seus paroquianos. Eram inúmeras as pessoas que vinham se confessar com ele. Ele passou a maior parte de sua vida no confessionário. Chegava a ficar 14 horas confessando os paroquianos. Como era grande o número de pessoas, ele dividiu em vários confessionários, um para mulheres outro para homens, outro para doentes, etc. Ele marcava os horários para cada um.
No confessionário viveu intensamente seu apostolado, todo entregue às almas, devorado pela missão, integralmente fiel à vocação. Do confessionário seu nome emergiu e transbordou dos estreitos limites Ars-em-Dombes para aldeias e cidades vizinhas. Os peregrinos que desejavam confessar-se com ele começaram a chegar. Nos últimos tempos de vida eram mais de 200 por dia, mais de 80.000 por ano.
Aos 73 anos de idade, na terça-feira, 02 de Agosto de 1859, João Maria Batista Vianney recebe a Unção dos Enfermos. Na quarta-feira, 03 de Agosto, assina seu testamento, deixando seus bens aos missionários e seu corpo à Paróquia. Às duas horas do dia 04 de Agosto de 1859, morre placidamente. Nos dias 04 e 05, trezentos padres mais ou menos e uma incalculável multidão desfilaram diante do seu Corpo, em prantos, para despedir. Quando chegou à cidadezinha ninguém veio recebê-lo, quando morreu a cidade tinha crescido enormemente e multidões de peregrinos o acompanharam à última morada.
Seu corpo encontra-se exposto incorrupto num relicário, na Basílica construida em homenagem a Santa Filomena, atrás de sua paróquia. 
A Igreja, receara fazê-lo sacerdote, curvou-se à sua santidade. João Maria Vianney foi proclamado Venerável pelo papa Pio IX em 1872, beatificado pelo papa São Pio X em 1905, canonizado pelo papa Pio XI em 1925 e pelo mesmo foi declarado padroeiro de todos os párocos do mundo, em 1929. Esse é o Santo Cura d’Ars, cuja memória, celebramos no dia 4 de agosto.

Oração pelos Padres
Deus, nosso Pai, Senhor de todo o universo
Nós te louvamos e agradecemos pelos padres que nos deste,
e pela vida que, generosamente, entregam à tua Igreja
para que tua Palavra seja proclamada, anunciada e vivida
e o nome de Jesus seja conhecido e amado
em todos os cantos deste teu imenso mundo.
Louvor e glória, também te sejam dadas,

ainda mais pela Eucaristia, pois que, pelas mãos deles,
se faz presente o sacrifício e a ressurreição de nosso Salvador.
Que sejam abençoados todos os teus sacerdotes,

pela memória de teus gestos e de teus passos, Senhor,
pelo testemunho de discípulo e apóstolo, de missionário e servo.
Que sejam protegidos teus sacerdotes

das tentações do poder, do comodismo e do prazer,
pois que seguiram Jesus, pobre, casto e obediente,
e só a Ele ofertaram as primícias de seu coração.
Conserva-lhes a paixão e o entusiasmo de sua opção primeira,

pois o que para o mundo é rotina, contigo, Senhor,
é a fidelidade das manhãs dos novos tempos.
Fortalece neles o desejo de estudar, atualizar e aprender,

para que, abertos sempre ao teu Santo Espírito,
sirvam com prontidão, coragem, sabedoria e humildade.
Aumenta-lhes a paciência na pressa dos dias e na impaciência dos irmãos,

assim como a ternura com as crianças, os idosos e os doentes.
Que eles sejam sempre acolhedores e compreensivos,

pois também são pais e refletem a tua própria paternidade, Senhor.
Que como pais, sejam por nós amados, amparados e acolhidos.

E que sejam tão alegres, porque tão felizes e realizados,
que a todo instante te louvem e glorifiquem,
inspirando em muitos o desejo de abandonar as barcas e
seguir Jesus, teu Filho amado, razão maior de nosso viver.
Que assim seja, segundo a tua santa vontade.

sábado, 7 de julho de 2012

Homenagem a São Pedro e São Paulo Apóstolos


Em homenagem aos personagens que engrandecem a nossa fé e fortalecem o nosso propósito para uma vida melhor. Estes santos são considerados “os cabeças dos apóstolos” por terem sido os principais Lideres da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação como pelo seu ardor e zelo missionários. Pedro que tinha como primeiro nome Simão era natural da Betsaida, irmão do apóstolo Andre. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e deixando tudo seguiu ao mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor que lhe deu o nome de Pedro.
Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria à sua morte, por crucificação. O próprio Senhor o confirmou na fé, após a sua ressurreição, da qual o apóstolo foi testemunha, tornando-o intrépido pregador do Evangelho, através da decida do Espírito Santo de Deus no Dia de Pentecostes. E selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor Jesus Cristo. Escreveu duas epístolas e provavelmente foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.
Paulo, cujo o nome antes da conversão era Saulo, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada aos pés de Gamaliel, um dos grandes mestres da lei na época. Tornou-se zeloso fariseu a ponto de perseguir e aprisionar cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles. Converteu-se a fé cristã no caminho de Tarso, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o Ministério.
Tornou-se um grande missionário e doutrinador fundando muitas comunidades, de perseguidor, passou a ser perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação.
Escreveu treze epistolas e ficou conhecido como o "Apóstolos dos Gentios".
Frases de São Pedro e São Paulo apóstolos:
- Senhor a quem iremos nós! Tu tens as palavras da vida eterna e nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus. (João 6, 6-7).
- Tudo posso Naquele que me fortalece. (Filp. 4, 1-3)
- Eu vivo, mais já não sou Eu, É Cristo que vive em mim. (Galatas 2, 20)

São Pedro e São Paulo Apóstolo, rogai por nós!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Natividade de São João Batista, Solenidade

DESDE O VENTRE DE MINHA MÃE ELE TINHA NA MENTE O MEU NOME
Is 49,1-6 ; At 13,22-26; Lc 1,57-66

Prezados amigos e irmãos em Jesus Cristo.
Como sente o seu conceito diante dos homens? Você nasceu no seio de uma família, cresceu, conviveu com pessoas, aprendeu sobre a natureza, sobre as ciências humanas, estudou e trabalhou, formou família; coisas boas e ruins possivelmente tenham acontecido em sua vida. De um jeito ou de outro durante vida você foi acumulando conhecimentos.
Mas tudo isso nem sempre é suficiente para uma autoafirmação e não poucas vezes ficamos nos questionando: Quem sou eu? Serei para mim e também para outros luz ou treva? Tenho sido útil?
Isaias dá uma resposta maravilhosa: Você, meu irmão, é uma criatura que foi predestinada para nascer e viver em plenitude.
Já pensou quantos espermatozóides disputaram o óvulo de sua mãe, mas somente um conseguiu entrar e nascer? Já parou para pensar que entre milhões você foi o espermatozóide vencedor? Só aqui já existe motivo suficiente para sentir-se orgulhoso de si mesmo.
Mas algo mais importante ainda aconteceu: Deus já sabia que você seria a pessoa que nasceria. E no momento da concepção você ganhou de Deus uma alma. Antes de você nascer, portanto, Deus já o conhecia até pelo nome! “o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome”.
Você deve se considerar uma pessoa feliz mesmo que as adversidades da vida prejudiquem um pouco os seus sentimentos e suas caminhadas, afinal, foi privilegiado com o nascimento e por se tornar Filhos de Deus.
Por isso Deus conta com você chamado de servo através de quem Ele será glorificado, e com certeza ante suas possíveis fraquezas lembrará dos tempos perdidos mas também de que Deus é justo, acolhedor e recompensará aqueles que conhecem o caminho de volta.

Vejam meu irmão e minha irmã, o que aconteceu com João.
Deus se fez Jesus Cristo o Salvador.
E João, filho de Isabel e Zacarias, antecipou a missão de Jesus anunciando-o e pregando um batismo de conversão procurando não se expor a fim de deixar claro que ele, João, não era o Salvador, mas sim uma outra pessoa a quem não era merecedor nem mesmo de desamarrar as sandálias, referindo-se a Jesus.
Portanto, João também foi um dos que Deus conhecia pelo seu próprio nome, já antes de nascer.
Interessante entender que Isabel escolhera o nome de João para seu filho enquanto que outros queriam chama-lo pelo nome do pai. Isabel teima, insiste no nome que anunciou. Invocado Zacarias, temporariamente mudo, decide escrevendo numa tabuinha: “João é o seu nome”. De imediato Zacarias recupera a fala.

Irmãos e irmãs.
Somos todos contemplados pelo amor de Deus e pelo seu paternalismo divino, e igualmente Deus sabia que você nasceria e que desde antes da sua concepção era amado e querido por Ele. E Deus não muda o nosso direito à perfeição, à felicidade, à Salvação, mas deixa a nosso critério a escolha desse destino.
João foi escolhido por Deus, mas permitiu que Isabel testemunhasse o nome do filho, que as pessoas de seus convívios opinassem pelo de Zacarias, e Zacarias opta pelo nome de João. Algo de profundo em seu sentimento o fez assim decidir.
Firmeza na fé e leal conduta cristã é o que Jesus ensinou com o pensamento de Deus.
Na escolha do nome, da educação, da formação, da religiosidade, do caráter, da fé, mesmo que Deus tenha tido os seus propósitos a respeito de tudo isso e muito mais, com certeza nossos pais quando nos viram pela primeira vez, e nos também quando vimos os nossos filhos recém nascidos, pensamos: “O que virá a ser este menino?' É o tom da incerteza!
E de fato, se olharmos atentamente para os homens e mulheres de hoje e de todos os tempos, constataremos que apesar do desejo de Deus sempre ter sido o mesmo direcionado ao bem, os caminhos que trilhamos muitas vezes são distorcidos. Juventudes belas, formosas e exemplares conflitam com juventudes descrentes, entregues às drogas, à falta de respeito aos pais, à falta de fidelidade a Deus, o mesmo podendo se dizer de tantos adultos e famílias decadentes ...
Mas na lição de Jesus Cristo, os princípios divinos continuam os mesmos, as oportunidades para que se caminhe nos trilhos da justiça e do bem continuam, assim como mantidas estão as oportunidades para a reconciliação e retorno àquele mesmo tempo da simplicidade e santidade que nos foi dada por Deus.
O importante é não desistir. O maligno está por ai, vestido muitas vezes de santo o que nos leva a um cuidado redobrado nos nossos procedimentos e com as coisas de Deus, mantendo a fé na certeza de que Deus é misericordioso e sua mão sempre está sobre nós.

Louvado seja N.S. Jesus Cristo.
Diac. Narelvi Carlos Malucelli
Texto extraído do blog


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Parábolas: Semente lançada na Terra e a do Grão de Mostarda

Para refletir, compreender e viver bem o mistério do Reino de Deus, Jesus nos apresenta no evangelho, duas pequenas, mas profundas parábolas: a da semente lançada na terra e a do grão de mostarda.

As parábolas são histórias contadas por Jesus para ilustrar seu ensinamento. Por trás delas há a idéia de que o mistério do Reino de Deus e da pessoa de Jesus é tão novo que também ele não pode manifestar senão gradualmente, e de acordo com a receptividade diversa dos ouvintes. Elas exigem sempre reflexão e uma pequena dose de criticidade.

A primeira parábola (vv. 26-29) nos remete à imagem da pequena semente lançada na terra. Esta contém em si toda a potencialidade e vivacidade. É pequena, insignificante e desprezível por si só como todo elemento da natureza; vivemos num mundo da quantificação e do engrandecimento de tudo e todos; quem hoje em dia gasta tempo e energia para olhar uma semente e dela retirar lições profundas? Jesus faz isso com grande maestria no seu tempo e nos sugere que também olhemos para a pequenez do “movimento” que Ele mesmo está iniciando: o seu Reino. Este já existe e está imperceptível a todos (donos do poder político, religioso e econômico), pois nasce com uma grande discrição diante de nós. Esta semente na terra, ou seja, no coração das pessoas, faz aparecer as folhas, a espiga e os grãos que formam a espiga. Estas são as nossas boas obras que vão se tornando presentes de modo misterioso em comunhão com a presença do Reino de Deus. São Gregório Magno diz que a semente é o nosso bom desejo por Deus; as folhas são nossas boas ações; a espiga nossa intenção no bem, e, os grãos que formam a espiga a nossa capacidade de nos mantermos no bem que é a Palavra de Deus (In Exod., II, 3,5s.).

A segunda parábola (vv. 31-32) trata do grão de mostarda que por ser a menor de todas as sementes se torna numa árvore tão grande que até os pássaros do céu abrigam sob sua sombra. Assim é o Reino de Deus: pequenino e imperceptível no início, mas expansivo e abrangente à medida que cresce e encontra espaço na vida das pessoas.

Ambas as parábolas põem claramente em evidência a inadequação e a absoluta insignificância dos instrumentos humanos, que Deus usa para realizar seu reino. Há quem espere que a chegada deste Reino será de modo triunfalista, eficiente e até “bombástico”. Jesus rompe com esta idéia e nos mostra que o seu Reino já se faz presente nas pequenas ações e atitudes de cada discípulo e cristão que se deixa transformar pela força de sua Palavra. Estas duas pequenas parábolas nos faz pensar na Igreja, continuadora da ação evangélica, como também a todos nós, discípulos de Jesus; até que ponto somos tocados por esta bela mas exigente mensagem? O Reino já se faz presente com nossas atitudes evangélicas ou ainda estamos esperando este Reino por outros meios?

Escrito por Frei André, OP